A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

(1914-1918)

 

"Somente aqueles que nunca deram um tiro, nem ouviram os gritos e os gemidos dos feridos, é que clamam por sangue, vingança e mais desolação. A guerra é o inferno."(General Willian T. Sherman).

                A Grande Guerra como foi chamada a I Guerra Mundial inicialmente, para muitos historiadores marca definitivamente o inicio do século XX, mas suas causas se encontram no século XIX. Na essência podemos destacar três grandes motivos para o conflito: o Imperialismo; o Nacionalismo e a Paz Armada.

                O imperialismo refere-se a um sistema de dominação e exploração de países e regiões por parte de potências mais fortes, geralmente as europeias, durante o século XIX e início do século XX. Seus objetivos incluem a expansão territorial, a obtenção de recursos naturais, a abertura de novos mercados, o crescimento industrial e o aumento da influência política e cultural. O imperialismo pode ser realizado por meio de conquistas militares, estabelecimento de colônias, domínio econômico, imposição de tratados comerciais desiguais, imposição de valores culturais e ideológicos, e exploração de recursos naturais. Durante o século XIX dois fatores irão contribuir para o advento do Imperialismo também conhecido como Neocolonialismo: o processo de independência nas Américas e a expansão da Revolução Industrial que fez as potências europeias da época, principalmente Inglaterra e França a se virarem para o continente africano e asiático para ter colônias.

 Na segunda metade do século XIX, a Alemanha e a Itália vão completar seu processo de unificação e, principalmente a Alemanha vai despontar como potência industrial e econômica, porém, assim como a Itália, a Alemanha não possuía colônias e não conseguiam competir com as principais potências: a Inglaterra e a França. Para solucionar esse problema que estava causando instabilidade politica no continente europeu é realizado em Berlin entre 1884 e 1885 a Conferência de Berlim. Essa conferência, organizada sob a liderança de Otto von Bismarck (1815-1898), chanceler alemão, estabeleceu as regras para a ocupação e divisão da África entre as potências europeias. A Conferência de Berlim também estabeleceu os direitos de navegação nos principais rios do continente africano e delimitou fronteiras para a ocupação europeia.

Portanto, aí está o principal motivo que levará a I Guerra Mundial, a disputa por colônias entre as potências europeias que nós conhecemos pelo nome de Imperialismo. Junto a esse principal motivo temos como um fator predominante também à ascensão e o fortalecimento da ideologia nacionalista. Até o século XIX praticamente não se tinha a ideia de pátria, de nação. Essas ideias que vão surgir no final da Idade Média e início da Idade Moderna com o surgimento dos Estados modernos vão se consolidar no século XIX com o nacionalismo.  O nacionalismo é uma ideologia política e cultural que enfatiza a importância da nação, ou seja, um grupo de pessoas unidas por uma história, cultura, língua e território comuns. Este conceito defende a autonomia e soberania nacional, assim como a valorização da identidade e interesses nacionais, muitas vezes colocando-os acima dos interesses de outras nações. Essas ideias criam o sentimento de pertencimento a um lugar, no caso, a um país. Isso foi fundamental para os Estados modernos que não precisam mais gastar fortunas com mercenários para montar seus exércitos, a guerra agora passava a ser uma questão de honra, de amor e defesa a pátria amada.

Este cenário aliado a uma “paz armada”, que escondia um clima belicoso entre as potências europeias, que na verdade podia ser visto na corrida armamentista do período, onde cada país se armava mais do que o outro, se preparando para o conflito que era uma questão de tempo. A prova disso foi o sistema de alianças. Em 1882 surge a Tríplice Aliança, um pacto militar entre Alemanha, Áustria-Hungria e Itália; em 1907 surge a Tríplice Entente, uma aliança militar entre Reino Unido, França e Rússia, em clara oposição a Tríplice Aliança.

Em 28 de junho de 1914 ocorre assassinato do príncipe herdeiro do trono do Império Austro Húngaro, em Saravejo (Bósnia), Francisco Ferdinando, perpetrado por um nacionalista sérvio, Gavrilo Princip deflagra o sistema de alianças e dá inicio a I Guerra Mundial. A Áustria exige uma retratação que não ocorre declara guerra a Sérvia; a Rússia com interesses na região e alegando uma questão nacionalista que assim como os russos os sérvios também são eslavos e tem direito a sua independência saem em defesa da Sérvia, desencadeando assim o sistema de alianças com várias declarações de guerra. Importante salientar que o atentado não é uma causa da Primeira Guerra sim seu estopim, o fato gerador do conflito; as causas são aquelas já explicadas acima.

O conflito em si que dura quatro anos é dividido basicamente em três fases. A primeira fase (1914) é marcada por uma guerra de movimento, com rápidos avanços das tropas alemãs, até que são detidos pelas forças russas e francesas. A partir desse momento entramos na segunda fase da guerra (1915-1916) conhecida como guerra de trincheiras, onde os avanços são modestos e as mortes são muitas. O dia a dia nas trincheiras era horrível. Falta água, faltava comida, faltavam suprimentos e sobravam ratos, lama e doenças, como podemos observar no relato abaixo:

“O campo de batalha é terrível. Há cheiro de azedo, pesado e penetrante de cadáveres. Homens que foram mortos no último outubro estão meio afundados no pântano e nos campos de nabo em crescimento (...). Um pequeno veio de água corre atrás da trincheira, e todo mundo usa a água para beber e se lavar; é a única água disponível. Ninguém se importa com o inglês pálido que apodrece a alguns passos adiante. No cemitério os restos de uma matança foram empilhados e os mortos ficaram acima do nível do chão. As bombas alemãs, caindo sobre o cemitério, provocam uma horrível ressurreição”. (Rudolf Binding – que serviu em uma das divisões do exército alemão).

               

                A Primeira Guerra marca a utilização de novos armamentos que jamais tinham sido utilizados, o que ajuda a entender o pavor que as pessoas sentiam diante de tanta morte e destruição. Entre esses armamentos podemos citar a metralhadora, tanque de guerras, lança chamas; submarinos e os aviões que bombardeavam as cidades. Em 1915, a Itália troca de lado e as potencias centrais (Tríplice Aliança) começam a enfraquecer.

                Em 1917 tem inicio a terceira fase do conflito e um ano com dois acontecimentos fundamentais. Primeiramente a Rússia se retira do conflito devido as suas questões internas (a Revolução Russa de 1917); mas em seguida os Estados Unidos irão declarar guerra à Alemanha devido ao ataque de submarinos alemães aos navios estadunidenses que abasteciam a Tríplice Entente de mantimentos e suprimentos. A entrada dos Estados Unidos é fundamental para as seguidas derrotas da Tríplice Aliança até a sua rendição em 1918.

                A Primeira Guerra causou desdobramentos profundos. As primeiras transformações foram ideológicas. A ideia de que o progresso baseado no desenvolvimento tecnológico levaria o mundo ao um patamar de diminuição das diferenças sociais e do aumento da qualidade de vida para maioria ruíram a cada bombardeio, a cada nova arma desenvolvida pela tecnologia e pelo progresso, mostraram a humanidade que a tecnologia também podia ser usada para o mal. Geopolicamente o território Europeu sofreu muitas modificações, o fim de impérios como o Austro-Húngaro e o Turco-Otomano; o fim de algumas monarquias, como a da Alemanha; o surgimento de novos países como a Iugoslávia e a Tchecoslováquia. No campo política, apesar do fortalecimento de regimes parlamentares democráticos, a democracia no pós-guerra perderá em muitos países a credibilidade permitindo a ascensão de regimes totalitários. A diminuição da produção econômica vai gerar crises econômicas que irão causar desemprego e empobrecimento da população, principalmente da classe média; mas também haverá maior reconhecimento das classes operárias e algumas conquistas das mulheres, como a entrada no mercado de trabalho, em relação à desigualdade de gênero.  Demograficamente, a  I Guerra Mundial causou cerca de 8,5 milhões de mortes, algo jamais visto pela humanidade até então; mais de 20 milhões de inválidos e o envelhecimento da população.

                Mas a maior consequência causada pela I Guerra Mundial é o declínio europeu como centro político e econômico do mundo e o surgimento dos Estados Unidos como potência mundial. Um exemplo disso é a adoção do dólar como domínio monetário a nível mundial. (FCA).

                

 

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