O PODER GEOPOLÍTICO (EXPLICANDO A AULA)

O PODER GEOPOLÍTICO (EXPLICANDO A AULA)

               Lembrando que geopolítica trata das relações entre os Estados (países), ou seja, como se dá as relações internacionais entre as nações nos mais variados aspectos, mas principalmente econômico, político e cultural. As relações internacionais entre o Estado é muito semelhante as relações sociais de poder. O que seria poder neste caso? Poder é um controle exercido em um contexto político amplo e mundial, atingindo grandes proporções em seus aspectos econômicos, sociais e culturais, além das ideologias políticas. Exemplo: Os Estados Unidos tem um grande poder geopolítico, pois é um Estado poderoso e que tem muita influência (positiva ou negativa) nas relações e nas decisões mundiais.

               Existem basicamente três tipos de poderes centrais: o poder ideológico, o poder político e o poder econômico. A ideologia (poder ideológico) abrange o conjunto de ideias, normas e valores que determinam o modo coletivo de agir e pensar. Ele é o poder mais importante, pois um Estado ao conseguir impor sua cultura, seus valores, sem precisar utilizar o recurso da força, está moldando as outras sociedades a sua forma de ver o mundo e, isso é essencial para exercer uma supremacia nas relações internacionais.

               O poder político que tem sua formatação no poder ideológico. É um sistema de poder baseado em acordo e relações de hierarquia que depende de outras formas de poder para se manter, como o ideológico, o econômico e o poder militar. As grandes potências se utilizam desse poder para impor sua dominação, procurando ao máximo evitar o uso da força.

               O poder econômico está relacionado a riqueza, ao controle da produção (muitas vezes exploratória), do trabalho e suas relações e financiador dos poderes ideológico e político. Ele é fundamental para o desenvolvimento e para que o Estado possa impor seu controle sobre os demais. É o financiador e responsável pela propagação das ideias  e da cultura que se tornam dominantes.

               Esses tipos de poderes mencionados acima formam a base de controle entre os Estados nas relações internacionais. Quando eles não funcionam por resistência e, principalmente choque de culturas diferentes, onde uma não aceita a imposição da outra, se recorre ao poder militar. Esse poder é a utilização da força para conquistar, impor ou manter os poderes ideológico, político e econômico do dominante sobre o dominado. Entretanto, o poder militar sempre esteve associado a seguinte equação: dinheiro (poder econômico) + avanço das técnicas (poder tecnológico) = mais força (poder militar). O poder econômico leva ao desenvolvimento de novas técnicas e, essa combinação foi alterando a forma de se fazer guerra no decorrer da História.

               Nas sociedades tradicionais agrícolas (nas eras antiga e medieval), onde o Estado não existia como conhecemos hoje, a disputa de poder era entre reis, reinos e impérios. Na guerra os combates eram corpo a corpo com armas individuais. Nesse modelo de guerra havia uma dependência das habilidades do soldado e do tamanho do exército que cada um podia ter. Quanto maior o exército e quanto mais soldados fortes e habilidosos, mais poderoso era um rei ou imperador.

               Já nas sociedades modernas pós Revolução Industrial com o desenvolvimento de novas técnicas, a produção de armas de fogo cada vez mais letais, o surgimento do Estado moderno e, muito importante, a criação ideológica do nacionalismo, onde o soldado não era mais um mercenário que lutava por alguém, mais sim um cidadão patriota cumprindo com o seu dever a “pátria amada”. A produção em massa gerada pela Revolução Industrial gerou guerras com destruição em massa, onde o objetivo era destruir toda a infraestrutura do inimigo, como estradas, plantações, indústrias, etc. Os maiores exemplos desse modelo são as duas guerras mundiais. Mas esse modelo de guerra ainda exigia um exército numeroso e um número de baixas muito elevado.

               A partir da segunda metade do século XX com o advento da Revolução Técnico Cientifica e o crescimento do Poder Tecnológico como forma de domínio, mudou mais uma vez a visão dos conflitos entre os Estados. O avanço tecnológico proporcionou uma tecnologia militar com armamentos mais precisos, afinal destruir a infraestrutura do inimigo não era positivo, pois ao conquista-lo tudo teria que ser refeito, aumento ainda mais os custos. Com armas mais sofisticadas e precisas, a guerra passou a ter como destruição somente alvos específicos e estratégicos para enfraquecer o inimigo. Os exércitos também não necessitam mais de um contingente numeroso, o mais importante é ter soldados especializados no domínio das novas tecnologias.

               Mesmo com tantas transformações ao longo de milênios de conflitos, surgimento e quedas de impérios, as formas básicas das relações internacionais e de poder se mantém as mesmas. O poder ideológico criador dos ideais, cultura e normas a serem seguidas; os poderes político e econômico para garantirem que essas ideias se tornem predominantes; o poder militar utilizando a força em caso de necessidade e; o poder tecnológico que garante a supremacia desse controle de um Estado sobre o outro. (FCA)

               

 

Comentários