A CRISE DA OLIGARQUIA BRASILEIRA E A “REVOLUÇÃO DE 30”

A CRISE DA OLIGARQUIA BRASILEIRA E A “REVOLUÇÃO DE 30”

                A oligarquia brasileira que dominou o cenário republicano em nosso país durante a chamada República Velha no período de 1894 a 1930, a partir da década de 20 vai começar a se desgastar e entrar em decadência, no que diz respeito a sua estrutura política e econômica. Vários fatores contribuíram para a crise do sistema oligárquico, uns mais outros menos. O movimento dos operários e o incipiente desenvolvimento urbano-industrial que promovia o movimento da população do campo para a cidade, mesmo que ainda modesto mostravam uma tendência, que seria irreversível. As ideias de ruptura promovidas pela Semana de Arte Moderna também contribuíram para questionar as estruturas e o controle do poder oligárquico. Também a dissidência entre as oligarquias regionais, quebra de acordos, entre as quais a principal, a politica do café com leite entre São Paulo e Minas Gerais. Todos esses fatores minavam as estruturas, mas os principais motivos que realmente abalaram as estruturas e fizeram que a oligarquia caísse foram o movimento dos militares, principalmente dos oficiais de baixa patente, os tenentes e a crise da bolsa de Nova York de 1929.

                O tenentismo como ficou conhecido o movimento político-militar que ganhou força durante a década de 20, entre os militares  oficiais de baixa patente (tenentes e capitães), foi um período onde eclodiram várias rebeliões em quartéis espalhados por todo território brasileiro. Esses oficiais eram de classe média e pessoas letradas que começaram a expor sua insatisfação contra o poder central das oligarquias. Temos que aqui lembrar que nossa República nasce sob um governo militar, nossos dois primeiros presidentes eram marechais que centralizam o poder, ao contrário do que fizeram os presidentes civis oligárquicos. Entre os objetivos do movimento tenentistas estavam à moralização da política com o fim das fraudes eleitorais, a imposição do voto secreto, ensino obrigatório e centralização positivista. Era um programa elitista, se dizia para o povo, mas não precisaria da participação popular. Os tenentes se consideravam uma espécie de “salvadores nacionais”.

                Entre janeiro e julho de 1922, ocorreu no Rio de Janeiro, então capital do Brasil, um levante que ficou conhecido como “Revolta dos 18 do Forte de Copacabana”. Os tenentes se rebelaram por se sentirem censurados e reprimidos pelo governo de Artur Bernardes. Os tenentes chegaram a disparar contra o próprio Exército e o palácio do governo, que respondeu bombardeando o forte. Um grupo de 18 tenentes saiu do forte e marcharam pela Avenida Atlântica na direção das tropas sob o comando do governo, apenas dois entre os 18 sobreviveram. Como consequência do movimento o governo decretou estado de sítio, impôs a censura sobre a imprensa e muitos militares foram condenados à prisão. A revolta em si não teve êxito, mas ela é extremamente importante, pois foi a primeira vez que se teve uma ação articulada contra o poder oligárquico da República Velha.

                Entre 1924 a 1926, ocorreria a Coluna Prestes, outro movimento tenentista liderado por Luís Carlos Prestes e Miguel Costa, onde tropas tenentistas percorreram mais de 24 mil quilômetros marchando pelo interior do Brasil. O objetivo da Coluna Prestes era enfraquecer o governo de Arthur Bernardes, conseguindo mais adeptos para o movimento. Apesar de ter um caráter social mais amplo, como a inclusão do voto feminino e da reforma agrária, o movimento não conseguiu os adeptos que imaginava. A maioria de seus integrantes se exilou na Bolívia, muitos voltariam ao país posteriormente. Apesar de não ter tido sucesso imediato a Coluna Prestes foi fundamental  para o enfraquecimento das oligarquias.

                O ano de 1929 seria decisivo para o colapso das oligarquias. A crise do sistema capitalista de 1929 que culminou com a quebra da Bolsa de Nova York em outubro abalou fortemente o poder econômico dos cafeicultores, além disso, o governo brasileiro não tinha mais como mante a politica de valorização do café, convencionado no Convênio de Taubaté de  1906. Estava marcada para março de 1930 a eleição presidencial. Era a vez de Minas Gerais indicar o candidato, porém, São Paulo, indica o paulista Júlio Prestes para a sucessão do presidente Washington Luís, era o rompimento e o fim do pacto da política café com leite. Minas Gerais então se une ao Rio Grande do Sul e a Paraíba formando a chamada Aliança Liberal, indicando Getúlio Vargas (RS) e João Pessoa (PB) para presidente e vice-presidente respectivamente. A Aliança Liberal recebe apoio dos tenentes, da classe média urbana e de várias outras oligarquias dissidentes. A eleição é realizada sob forte tensão e Júlio Prestes sai vencedor. Protestos contra o resultados das urnas tomam conta do país, a Aliança Liberal acusa que a eleição foi fraudulenta (lembrando que durante todo o período as eleições foram fraudulentas, não ia ser nessa que seria diferente, a questão agora é que as duas maiores oligarquias estavam em lados opostos). Apesar da incorfimadade tudo leva crer que Júlio Prestes iria assumir a presidência, entretanto, o candidato à vice-presidente pela Aliança Liberal João Pessoa é assassinado na Paraíba. Tudo leva a crer que o crime teria sido passional, mas Getúlio Vargas e a Aliança Liberal tratam de transformar o assassinato de João Pessoa em um crime político, aumentando a agitação popular que já vinha ocorrendo desde o final da eleição. O Exército resolve depor Washington Luís mesmo antes da posse de Júlio Prestes e entregar o poder ao comandante em chefe da revolta Getúlio Vargas. Era três de novembro de 1930, marcando o fim da República Oligárquica.

                É importante ressaltar que a chamada “Revolução de 30” de fato não é uma revolução. Ela foi uma revolta dos perdedores da eleição que culminou com um golpe de Estado que levou Getúlio Vargas ao poder. Também é importante salientar que as estruturas de poder da oligarquia estavam danificadas, a chegada de Vargas ao poder é o resultado da corrosão do sistema oligárquico que devido aos motivos internos elencados aqui e aos acontecimentos externos como a I Guerra Mundial e a Crise de 29, não tiveram mais como se manter. (FCA)

                

 

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