A REPÚBLICA OLIGÁRQUICA E SUAS ESTRUTURAS POLÍTICAS
A palavra
“república” vem do latim “res publica” que quer dizer coisa pública ou coisa do
povo. Portanto, uma república pertence ao povo, apesar de na prática nem sempre
ser assim e, se tratando de Brasil fica mais evidente ainda no decorrer de sua
história que, por muitas vezes a nossa república serviu mais a interesses
privados de uma determinada parcela da sociedade do que realmente ao público. A
República Oligárquica em questão que abrange os anos de 1894 a 1930 está
inserida dentro do contexto da chamada República Velha ou Primeira República.
Nesse período a República brasileira ainda está em formatação. Oligarquia quer
dizer “governo de poucos” e nesse período o Brasil foi controlado pelas oligarquias
rurais, especialmente as oligarquias paulista e mineira, o que vai levar esse
período também a ser conhecido como a “política do café-com leite” que
representa a união dos cafeicultores paulistas com os produtores de leite do
estado de Minas Gerais. Além do controle político está concentrado nas mãos da
oligarquia, existe uma baixa participação popular, limitada pela própria
Constituição que deixou de fora da cidadania vários segmentos da sociedade e,
pelo controle exercido sobre os eleitores.
Em síntese, a
política do café com leite era um acordo entre as duas oligarquias mais
poderosas do país na época, os cafeicultores paulistas e os produtores de leite
mineiros que se alternavam no poder. A cada eleição que ocorria de quatro em
quatro anos uma oligarquia indicava o candidato a presidente e a outra apoiava,
saindo sempre vitoriosos, dessa forma, durante praticamente 34 anos, o
presidente brasileiro era paulista ou mineiro com raríssimas exceções. As
oligarquias menos expressivas apoiavam o acordo em troca de cargos ou
ministério. Entre essas oligarquias podemos destacar as do Rio de Janeiro, Rio
Grande do Sul e Bahia. As demais praticamente não tinha influência.
Antes de
entrarmos nas estruturas políticas da oligarquia propriamente dito temos que citar a exceção que foi o governo
do gaúcho Hermes da Fonseca de 1910 a 1914, onde Minas Gerais acabou se aliando
ao Rio Grande do Sul e venceram o candidato paulista Rui Barbosa. Esse período
é conhecido como a “política das salvações” que tinha por objetivo questionar a
liderança de São Paulo e Minas Gerais, mas na prática não efetivou nenhuma
mudança significativa nos campos políticos, econômicos e sociais. O projeto
inicial de moralizar os costumes políticos, ampliar a democracia e reduzir as
desigualdades ficou só no campo das ideias.
As estruturas
da política oligárquica, baseada numa economia agroexportadora, tinha como
pilares a já mencionada politica do café com leite, a política dos governadores
e o coronelismo. A política dos
governadores firmada entre o presidente da república e os governadores
estaduais (a partir do governo de Campos Sales 1898-1902) previa o apoio mutuo
e a não interferência de ambos em seus governos. Assim, o presidente conseguia
os votos dos estados para a continuidade de seus projetos e em troca, não
interferia em disputas de poder local das oligarquias. Em outras palavras, o
governo federal não intervinha nas questões locais, permitindo que cada Estado
fosse governado de acordo com o grupo dominante. Em contrapartida, os governadores
estaduais garantiam a eleição de deputados e senadores que não iriam fazer
oposição ao governo central. Era uma estrutura política baseada da troca de
favores que, passados mais de cem anos continua enraizada na política
brasileira, a mais conhecida delas é a troca de voto dos parlamentares por
verbas.
Mas para o
sucesso dessa política era necessária uma outra estrutura, que de fato garantia
o funcionamento das demais. Esta estrutura ficou conhecida como coronelismo. O coronelismo nada mais é
que o poder do chefe local, o coronel, como era conhecido os latifundiários, ou
seja, a elite oligárquica brasileira. Usavam seu prestígio e poder econômica e
do uso da força para arregimentar votos em troca dos quais obtinham
financiamentos do governo ou obras de infra-estrutura como barganha política.
Quanto maior o “curral eleitoral” (número de eleitores que o coronel podia
controlar), maior era o seu poder. O coronelismo baseava-se em três estruturas
básicas: o clientelismo, o voto a cabresto e o paternalismo. O clientelismo é
basicamente uma troca de favores onde em troca do voto o coronel oferecia
pequenos benefícios, presentes, promessa de empregos, etc. O paternalismo procurava passam a imagem do
coronel como um bem feitor da região, um protetor, que conseguia trazer
melhorias a sua população e, em troca dessa “proteção” os seus agregados lhe
deviam favores e obediência. O voto a cabresto era a intimidação pessoal. O
coronel indicava em que as pessoas deveriam votar. Como o voto era aberto, era
fácil de controlar se as pessoas realmente votavam nos indicados pelo coronel.
Assim, com o povo subjugado aos interesses da estrutura oligárquica, a vitória
nas eleições era garantida, já que nesse período a população brasileira era
predominantemente rural. Bastava então, controlar essa parte da população para
garantir a continuidade da oligarquia no poder.
Obviamente,
nas cidades não havia esse controle. Entretanto, quando algum candidato da
oposição conseguia se destacar e até se eleger, existia um sistema denominado
de “degola”, onde uma comissão verificadora das eleições não reconhecia a
titulação do eleito, forjando algum problema com a justiça que impedia a posse
de algum candidato da oposição. Também foi um período marcado por muitas
fraudes e manipulações de dados como votos duplicados e até votos de eleitores
“fantasmas”.
O paternalismo
e o clientelismo se configuraram nas estruturas básicas da República
Oligárquica brasileira e tiveram como consequências uma anulação do
desenvolvimento da cidadania em contrapartida ao favorecimento das elites. Isso
vai se refletir durante todo o desenvolvimento da nossa história republicana e,
são fatores ainda presentes nos dias atuais, tanto o paternalismo, o
clientelismo com suas trocas de favores e mazelas para o país. Também, a questão da cidadania do cidadão brasileiro
que ainda continua em sua maioria um cidadão alienado. Ou seja, alheio aos seus
próprios direitos, ao funcionamento das instituições e das estruturas políticas
e de como o Estado e o governo funcionam. (FCA)

Comentários
Postar um comentário