A estrutura Econômica no Brasil durante a República Oligárquica

A estrutura Econômica no Brasil durante a República Oligárquica

 Durante o período de domínio das oligarquias sobre a política brasileira (1896-1930) a economia nacional  era caracterizada pelo modelo agroexportador. Nesse modelo basicamente, o Brasil exportava produtos primários (agrícolas e de extração) e importava produtos industrializados. A opção por esse modelo econômica favores as elites rurais, mas não era benéfica para o país que ficou atrasado no seu processo de industrialização.

Nesse período, o principal produto brasileiro era o café. E os “barões do café” logo trataram de negociar com o governo federal uma política de” valorização do café”. Em 1906 reuniram-se na cidade de Taubaté (SP) no chamado Convênio de Taubaté, onde foi articulado o plano de valorização do café, mesmo que essa valorização se mostrou ao logo do tempo uma valorização artificial. Ela funcionava da seguinte forma: Quando os cafeicultores não conseguiam vender toda a sua produção o governo comprava o excedente, diminuindo assim  o aumento da oferta e mantendo o preço do café estável. Para comprar esse excedente o governo contraía empréstimos e aumentava os impostos para a população para tentar equilibrar as contas. Esse processo endividava o país e aumentava sua dependência com o exterior. Internamente impedia que o governo investisse em infraestruturas e em politicas sociais. A ideia do governo era vender esse café quando a procura pelo produto aumentasse, fato esse, que nunca ocorreu, mas independente disso, o bolso dos cafeicultores estava salvo.

É fácil perceber que essa política de valorização do café beneficiava um setor da sociedade em específico em detrimento da sociedade como um todo. A chamada “socialização das perdas”. Quando o café era vendido, o lucro era dos cafeicultores; quando não; toda sociedade pagava. As principais consequências dessa política foi o endividamento do país, estoque elevados de café, diminuição do valor do produto; estimulava a superprodução, pois a venda estava garantida, sacrificava os cofres públicos, impedia o desenvolvimento econômico do país e perpetuava as condições precárias dos serviços ofertadas pelo governo à população.

Entre 1890 a 1910 ocorreu no Brasil o “Ciclo da Borracha”. O surgimento da indústria automobilística    aumenta o consumo de borracha no mundo. O Brasil se torna o maior produtor mundial. Provocando um surto econômico na região Amazônica. Mas mais uma vez os benefícios foram para poucos. Enriqueceram os proprietários das regiões exploradas, a cidade de Manaus vivenciou um período de desenvolvimento econômico e cultural, enquanto os trabalhadores permaneceram na miséria. As condições de trabalho eram difíceis devido às condições hostis da floresta; além disso, a relação empregador-empregado era baseada numa exploração marcada pela violência, baixos salários e no endividamento do seringueiro, pois desde o material de trabalho, hospedagem e alimentação, era cobrado pelo dono da propriedade. Normalmente as despesas do trabalhador eram sempre maiores do que ele tinha a receber, por mais que ele produzisse, o fazendo ficar preso ao trabalho por dívida.  Outros produtos agroexportadores produzidos no período foram o cacau, açúcar, couro, algodão e mate. Mas não tinham a mesma importância do café, mas seguiam o modelo de produção e exploração do trabalhador rural.

Com o advento da I Guerra Mundial (1914-1918) forçou o governo brasileiro há mudar um pouco a dinâmica agroexportadora da nossa economia e fazer investimentos na industrialização do país, mesmo que de forma incipiente. Os países industrializados dos quais o Brasil comprava produtos industrializados  tiveram que usar suas indústrias para o “esforço de guerra” o que cessou com as exportações. Não tendo de quem comprar os produtos industrializados e precisando abastecer o mercado interno, o governo passou a incentiva a industrialização de indústrias alimentícias e têxteis, a chamada industrialização de substituição das importações. Com o fim do conflito, os incentivos acabaram e o modelo agroexportador voltou a ser dominante. Mas foi o primeiro passo e um fato importante que ajudará no processo de fragmentação e crise do sistema oligárquico durante a década dos anos vinte.(FCA)

 

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