INTRODUÇÃO AO ESTUDO DE HISTÓRIA (EXPLICANDO A AULA)

 INTRODUÇÃO AO ESTUDO DE HISTÓRIA


Definição é diferente de conceito. Definição se refere a dar significado a algo, a uma palavra, etc. Dizer o que é. Já conceituar (dar conceito) é algo mais amplo, além de definir, conceituar é dar uma concepção, ou seja, a formulação de uma ideia. Dessa forma, a palavra História, que é uma palavra de origem grega “historie” significa conhecimento através da investigação. Mas conceitualmente, História é uma ciência que investiga o passado da humanidade e o seu processo de “evolução” (nem sempre estamos evoluindo, muitas vezes parece que é o contrário), tendo como referência um lugar, uma época, um povo ou um indivíduo específico. Através do estudo histórico obtém-se um conjunto de informações sobre os processos e fatos ocorridos no passado que contribuem para a compreensão do presente. 

Uma questão essencial para a História, ou para qualquer ciência ou questão humana é a verdade. Mas o que é a verdade? A verdade é um conjunto de valores, crenças que é aceito por um grupo social como expressão da realidade, do concreto, do correto. A maioria das pessoas tendem a crer que a verdade é algo absoluto, ou seja, se é absoluto, a verdade é inquestionável. Entretanto, as sociedades ao longo do tempo se tornaram distintas uma das outras, isto é, diferentes, portanto, têm crenças e valores diferentes. Sendo assim, é claro perceber que a verdade não é universal, sociedades diferentes acreditam em coisas diferentes (um exemplo básico é a religião com deuses, valores e princípios diferentes e cada vez mais fragmentada no decorrer do tempo). Assim, a verdade passa a ser relativa. A verdade relativa é algo que pode ser questionado, isso não quer dizer que algo não seja verdade. Há mais de 500 anos acreditava-se que a Terra era quadrada ou plana, portanto era a verdade (apesar que por mais que pareça inacreditável, ainda tem gente que pensa que é), hoje sabemos que a Terra é uma esfera. O problema da verdade é que, ao contrário do pensamento científico, ela não precisa ser comprovada, ela precisa ser aceita pela maioria. Mais relativo do que isso só o tempo.

A História é uma construção  e uma percepção do pensamento humano, apesar do fato histórico ser único, o que se pensa sobre ele é mutável. Muda com novas descobertas, muda com o passar do tempo e, principalmente, muda conforme a ideologia predominante de um determinado período. O que se pensa e o que conta sobre o “Descobrimento do Brasil” hoje não é igual ao de 50 anos atrás. Até porque hoje se fala, achamento, invasão e não descobrimento.Mas o importante aqui é saber que a História não é absoluta e finita, ela sempre poderá ser contestada e modificada, desde que novas evidências sejam comprovadas e bem argumentadas. 

Sabemos que a Histórias estuda o passado, mas é muito importante salientar que o passado é o objeto de estudo da História e não o seu fim. Assim como a enxada é um instrumento do agricultor para o seu objetivo que é a plantação, o passado é o instrumento da História para nos entendermos como sociedade e até mesmo como indivíduos (afinal, tudo tem História, sejam coisas, países e pessoas).É evidente que o passado nunca muda, o que passou não pode ser mudado, somente lembrado e relatado. O passado é imutável, porém, o que se pensa sobre ele é mutável (está em constante mudança). O relato sobre o que aconteceu muda conforme o tempo e as concepções que se tem sobre o fato histórico. Essa mudança de como se relata o passado denomina-se historiografia. Dessa forma, apesar do passado ser imutável como fato (acontecimento), o que se pensa sobre ele pode mudar. Sendo assim, a História não é uma ciência exata e o conhecimento histórico não é definitivo e sim interpretativo, o que torna o estudo de História muito complexo. Para ficarmos na aldeia podemos citar a chamada Revolução Farroupilha ou Guerra dos Farrapos, ocorrida no Rio Grande do Sul entre 1835 e 1845. Alguns historiadores defendem a ideia que trata-se de uma revolução. Outros defendem que não passou de uma revolta da elite gaúcha da época, não sendo uma revolução. E agora? Quem está certo?

Uma outra questão muito importante para estudar História é entender que um fato histórico pode causar uma ruptura, mas também ser uma continuidade. Vamos tentar esclarecer. Um fato histórico pode causar uma grande transformação social, nesse caso ele é uma ruptura, pois ele rompe com aquilo que estava estabelecido e forma-se uma nova estrutura social. O controle do fogo pelo homem pré-histórico, o advento da agricultura, a invenção da escrita, a Revolução Industrial e a Revolução Técnico Científica mudaram radicalmente as estruturas sociais, comportamentais, econômicas,políticas e culturais na época em que aconteceram. Portanto, processos de ruptura, que são muito mais raros do que os fatos históricos que  que alteram algumas situações, mas não provocam grandes transformações sociais. Neste caso, o fato histórico apesar de provocar algumas mudanças não altera as estruturas essenciais, tratando-se de uma continuidade. A Reforma Protestante, a Independência do Brasil, a Proclamação da República são exemplos. Elas questionaram, contestaram e provocaram mudanças em algumas estruturas, mas não romperam totalmente com o modelo anterior. Em 7 de setembro de 1822 o Brasil deixou de ser colônia e passou a ser uma nação soberana, mas sua estrutura social e administrativa se manteve a mesma (a escravidão continuou assim como a monarqia como forma de governo). Tem que ser em mente que nem toda mudança é uma ruptura, por isso é importante dominar conceitos de reforma, revolta, revolução, etc., fundamentais para a compreensão da História. (FCA)


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